"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez."

terça-feira, 18 de julho de 2017

PECULIARIDADES DAS PROVAS DE REDAÇÃO

          Para fazer uma boa redação, além de todas as dicas e cuidados que devem ser tomados, a compreensão do que se exige na prova é mais do que meio caminho andado. Cada prova tem particularidades quando apresentam um tema aos candidatos e dá comandos para direcionar o texto que será produzido. Por esses comandos, o candidato é capaz de perceber até quantos desenvolvimentos deverá fazer e como irá fazê-los.
          Vamos aos exemplos:
PROVA DA Uesb 2014 - Essa prova apresentava dois temas de redação, e o candidato deveria escolher um. Um dos temas dizia o seguinte: "manifeste seu pensamento, ao escrever um texto dissertativo-argumentativo sobre o perfil da 'Geração Milênio' , constituída de 'jovens nascidos entre os anos 1980 e 2000, que estão interligados pela rede mundial, onde compartilham ideias e ambições'.". Abaixo do tema, a prova coloca observações, e uma delas é: focalize, em seu texto, por exemplo, a relação de sua geração com a tecnologia, com as causas sociais, com novas experiências profissionais. 
- Essa prova pediu três aspectos diferentes: A RELAÇÃO DA GERAÇÃO MILÊNIO COM A TECNOLOGIA ( envolveria o uso dos sites de rede social, aplicativos de mensagens instantâneas, pesquisas em sites de busca e até relacionamentos virtuais), A RELAÇÃO COM AS CAUSAS SOCIAIS (envolveria o engajamento da juventude através das redes sociais virtuais) e A RELAÇÃO COM NOVAS EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS (envolveriam as novas profissões que surgiram por causa das novas tecnologias, como profissionais em TI, a tecnologia da informação, blogueiros e youtubers). Ou seja, são três aspectos diferentes que devem ser tratados em parágrafos diferentes. Então o ideal seriam três desenvolvimentos, embora isso não seja obrigatório.
Na verdade, essa é uma característica da CONSULTEC. As provas da Uneb já apresentaram esses comandos em alguns anos, e o candidato precisou ficar atento. 

PROVA CESPE/UnB 2016 - após uma coletânea de textos sobre a guerra,  o tema era Guerras: derrota para a humanidade. A prova pedia que se abordassem no texto os seguintes aspectos: 
- motivações para as guerras
- o impacto da evolução do conhecimento nas guerras
- a guerra como derrota para vencidos e vencedores
Não é obrigatório escrever na ordem que a prova dá, mas essa direcionou pela lógica: os itens 1 e 2 representam causa e consequência respectivamente. Além disso, esses dois itens podem ser tratados em um parágrafo só. O terceiro item envolve dois vieses: a guerra como derrota para os vencidos e derrota para os vencedores. Esse poderia ser dividido em dois parágrafos ou ser feito em um só, o que vai determinar é a quantidade de argumentos que se tem. Mas, deve-se lembrar, o ideal são três parágrafos de desenvolvimento no maximo!
A CESPE tem a característica de exigir itens dentro da argumentação, e isso restringe um pouco as ideias do candidato. Outra característica é que essa banca geralmente propõe um estudo de caso: ela apresenta um problema para ser investigado. São analisados casos específicos para que o candidato transporte para casos gerais. Isso exige análise crítica, identificando o problema, analisando evidências, desenvolvendo argumentos lógicos e propondo soluções . Por isso, na prova não pode haver a conclusão com uma simples dedução ou um resumo do texto, nem mesmo com questionamentos retóricos, mas sim com soluções práticas e viáveis para o problema. 

PROVA ENEM
- Essa prova não costuma limitar o texto com comandos de abordagem. Geralmente o candidato fica livre para produzir seus argumentos e fazer a abordagem da forma que achar melhor, desde que não fuja da proposta. No entanto, não custa nada ficar atento às instruções da prova para cumprir tudo que for exigido.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Identidade Nacional

Texto 1
Afinal, quem somos nós, os brasileiros? À primeira vista, a resposta para essa pergunta é fácil: somos o produto da miscigenação entre os colonizadores portugueses, os índios que aqui viviam e os africanos trazidos como mão-de-obra escrava, além dos imigrantes que chegaram entre os séculos 19 e 20 – como alemães, italianos, japoneses. Até aí, tudo bem. Somos, enfim, um povo mestiço genética e culturalmente que, apesar da diversidade, compartilha certos traços em comum.
A questão, porém, fica um pouco mais complicada quando se trata de buscar a essência do que se convencionou chamar de caráter nacional, aqueles traços que explicam uma série de comportamentos que costumamos encarar com naturalidade mas que, quase sempre, causam surpresa entre os estrangeiros.
“Não é só um estereótipo. As pessoas aqui se relacionam com mais afetividade. Os brasileiros conversam na rua, enquanto na Europa o silêncio predomina nas estações de ônibus e metrô”, diz o jornalista espanhol Juan Arias, que há 7 anos vive no Rio como correspondente do jornal El País. “Mas fiquei chocado com a burocracia kafkiana para tirar o visto de permanência após casar com uma brasileira. Foram mais de 600 dias de espera, 6 quilos de documentos e a insinuação de que tudo poderia sair rapidamente se pagasse 8 mil reais.”
Brooke Unger, correspondente da revista inglesa The Economist em São Paulo, é mais um que se diz a um só tempo encantado e estarrecido com certos traços do povo brasileiro. “Quando cheguei ao Brasil pela primeira vez, vi garis em um desfile pelas praias do Rio, numa cena impensável para um americano.” Em compensação, ele diz não entender a espécie de amnésia coletiva diante de casos graves de violência e impunidade. “A maioria dos brasileiros sabe mais sobre o atentado terrorista do dia 7 de julho, em Londres, do que sobre a chacina na Baixada Fluminense que matou 29 pessoas no dia 31 de março.”
Criativo ou enrolão, extrovertido ou indiscreto, cordial ou malandro, maleável ou corruptível?
Após mais uma enxurrada de denúncias de corrupção – com direito a atuações picarescas como as do deputado Roberto Jefferson – a discussão sobre a essência do nosso caráter volta à berlinda. De onde vem nosso jeitinho, nossa informalidade (aqui, até o presidente da República é tratado pelo apelido), nossa naturalidade diante da miséria, nossos preconceitos, nossa capacidade de depositar fé em mais de uma religião?
(...)

TEXTO 2
Como o brasileiro vê a si próprio?
Como o povo sofre! Essa é a conclusão de uma pesquisa feita em 1997 pelo Centro de Pesquisa e Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Instituto de Estudos da Religião. Veja as respostas dos entrevistados:
• Sofredor – 74,1%
• Trabalhador – 69,4%
• Alegre – 63,3%
• Conformado – 61,4%
• Batalhador – 48,0%
• Solidário – 46,1%
• Revoltado – 42,3%
• Pacífico – 40,4%
• Honesto – 36,2%
• Malandro – 30,8%
• Violento – 28,5%
• Preguiçoso – 24,0%
• Egoísta – 21,6%
• Desonesto – 17,2%
Texto 3
Auto-estima é maior no Norte e Centro-Oeste
Mazelas como a corrupção endêmica e a desigualdade social não afetam a auto-estima dos brasileiros: 85% deles dizem sentir orgulho de sua nacionalidade, segundo uma pesquisa feita em 2003 pelo instituto Datafolha. De acordo com o mesmo levantamento, 61% acham o Brasil um país ótimo ou bom para viver e 72%o consideram “muito importante” no cenário mundial. O amor-próprio é mais acentuado nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 91% dos entrevistados responderam ter mais orgulho que vergonha de ser brasileiro. Essa proporção cai para 83% na Região Sudeste e atinge seu menor valor entre os habitantes da cidade de São Paulo, onde o sentimento positivo é compartilhado por 79% da população.


Disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/a-cara-do-brasileiro/


A partir dos textos motivadores, escreva um texto dissertativo-argumentativo em que você discuta sobre como os problemas sociais influenciam na autoestima e no caráter dos brasileiros.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Cumbuca de ideias

 Ao ler o tema da redação, a primeira ideia que surge na sua cabeça é: deu branco! Mas é claro que deu! Nosso complexo de inferioridade nos faz pensar que a ideia que temos é tão ruim que não vale o cocô do cavalo do bandido. Então descartamos a primeira ideia e perdemos a oportunidade de transformá-la em oportunidades. 
 Ao estudarmos física, em sua dispersão, a luz branca passa pelo prisma, e então ocorre a refração: de um meio para outro, a luz branca se dispersa em sete outras ondas, cada uma com uma cor diferente, dando-nos um lindo e promissor arco-íris! Que tal fazer isso com o seu branco? Transforme-o num arco-íris de ideias, em possibilidades. 

Para isso, você não deve descartar nenhuma ideia que tiver. Jogue-as todas no rascunho, sem se preocupar com coesão nem aprofundamento. Faça do seu rascunho uma cumbuca de ideias. Só depois de bem misturadas ali, elas são temperadas com uma dose de criatividade, e delas surge uma ideia mais elaborada que vai ser aquela que entrará no seu texto.
A coisa linda do Tiago Iorc escreveu assim: " A gente queima todo dia mil bibliotecas de Alexandria. A gente teima, antes temia. Já não sabe o que sabia". A Biblioteca de Alexandria foi um dos maiores redutos de conhecimento e saber da história. E conta-se que sua destruição aconteceu por causa de um incêndio, destruindo documentos e papéis importantíssimos pro saber. O Tiago, nessa música, questiona nossas atitudes hoje de "Maria vai com as outras", de não pensarmos por nós mesmos, de não fazermos diferença por nossa cabeça sã. A gente só faz zuada, e mais nada. A gente acha que pensa, mas nem pensa que só acha. Então não queime a melhor biblioteca que é sua mente. Não descarte suas ideias. Faça uma grande cumbuca e depois mostre ao corretor o sabor de suas ideias! 






[A olhos que souberam me ler
Ao meu horizonte medido em vontade
Ao lugar em que chego por sorte
Da minha bússola, meu norte
Meu esconderijo cada vez mais forte]







domingo, 21 de maio de 2017

AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA CONTEMPORANEIDADE

TEXTO 1:


TEXTO 2:



TEXTO 3:

GERAÇÃO CABEÇA-BAIXA E A REALIDADE INTERSECCIONAL

A relação com a tecnologia na vida contemporânea, diferentemente das gerações passadas, quando se podia optar por assistir ou não a TV, não nos deixa a escolha de não integrar-se à vida digital  (...) as formas de relacionar-se com esta tecnologia e com as pessoas, que são em última instância, são inúmeras,tal qual as relações na vida real.
 Mas uma delas é comum a praticamente todos os jovens que, mesmo quando resistem a ela, estão vivendo-a, pois se posicionam em relação à mesma.
(...)
Num bar, numa reunião de negócios, nas aulas da faculdade, ou mesmo na intimidade do casal, o smartphone parece uma extensão do corpo do usuário ao qual ele precisa recorrer em intervalos controlados de tempo. A sensação de perda do momento presente quando a pessoa não se conecta à rede para “saber o que está acontecendo”, seja checando emails, entrando no Facebook para ver quem comentou seu post ou quem está online, no Twitter para saber quem está onde fazendo o quê, no Instagram para ver quem está no lugar mais legal, com quem, fotografando o quê, entre muitas outras possibilidades que diferem de acordo com o interesse e valores do usuário, é a sensação de exclusão, sequestro da realidade e falta de controle sobre ela.

Um jovem pode passar a semana planejando ir a uma festa descolada onde vai encontrar sua paquera e curtir com seus amigos, mas tão logo ele chega na festa,você o encontra, em diversos momentos – e entre alguns jovens, na maior parte dos momentos de cabeça baixa, olhando para um artefato tecnológico na palma de sua mão que o poupa da sensação de falta de controle e vivência totalizadora, real, do momento presente. Ele está no lugar que queria, com as pessoas que queria,curtindo a realidade palpável que queria, mas a noção de vivência da REALIDADE, de experienciar o momento presente, apenas se torna fato para ele quando o real offline e o real online estão ao seu alcance (...).

Autor: Vinícius MesquitaDisponível em:   http://www.academia.edu/5269337/GERA%C3%87%C3%83O_CABE%C3%87A-BAIXA_E_A_REALIDADE_INTERSECCIONAL_GERA%C3%87%C3%83O_CABE%C3%87A-BAIXA_E_A_REALIDADE_INTERSECCIONAL
 Adaptado e modificado.


TEXTO 4:

NOMOFOBIA

Quantas vezes você já se pegou checando e-mails pelo celular no horário do almoço? Ou verificando, a cada cinco minutos, se chegou uma nova mensagem de texto? Se você se identifica com as situações acima, cuidado: esses podem ser sinais da nomofobia — síndrome em que o paciente fica dependente do telefone ou da internet.

— Aquela pessoa que usa muito o celular por causa do trabalho, ou por algum outro motivo, não necessariamente tem a doença. Mas se o esquecimento do aparelho em casa já é suficiente para gerar um sofrimento, é preciso procurar ajuda — explica a pesquisadora do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Anna Lucia Spear King.

A PhD em Saúde Mental estudou o tema em sua tese de doutorado. No estudo, 34% dos entrevistados sem problemas psicológicos afirmaram ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto. E 54% disseram ter "pavor" de passar mal na rua sem o celular.

— A nomofobia não costuma aparecer sozinha. Em geral, está associada aos transtornos de ansiedade, que podem ser síndrome do pânico, transtorno bipolar, estresse pós-traumático, entre outros. Tratando essas doenças com remédios e terapia, a nomofobia também desaparece.
(...)
Uma pesquisa feita pela revista "Time" e pela Qualcomm, em diversos países, mostrou que o uso do celular está cada vez mais intenso. Dos cinco mil participantes, 79% disseram que se sentem mal sem o telefone. No Brasil, 58% afirmaram que usam o celular a cada 30 minutos e 35% a cada dez minutos.

Disponível em: https://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/nomofobia-doenca-provoca-dependencia-do-celular-aprenda-perceber-os-sintomas-6593799.html


TEXTO 5:



Com base nos textos motivadores acima e na sua experiência de vida, escreva um texto dissertativo-argumentativo em que você aborde a questão das RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA CONTEMPORANEIDADE E SEUS REFLEXOS NA SOCIEDADE. Não se esqueça de criar uma proposta de ação social para a questão abordada.







segunda-feira, 8 de maio de 2017

TEMA: educação superior X mercado de trabalho

TEXTO 1

O VERBO FOR

Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas (…)
O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês, e sociologia, sendo que esta não constava nos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito ruibarbosianamente quando possível, com citações decoradas, preferivelmente (…)
Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma certa vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante.
Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra “for” tanto podia ser do verbo “ser” quanto do verbo “ir”. Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.
– Esse “for” aí, que verbo é esse?
Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.
– Verbo for.
– Verbo o quê?
– Verbo for.
– Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.
– Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele impávido. – Nós fomos, vós fondes, eles fõem.
Não, dessa vez ele não passou. Mas, se perseverou, deve ter acabado passando e hoje há de estar num posto qualquer do Ministério da Administração ou na equipe econômica, ou ainda aposentado como marajá, ou as três coisas. Vestibular, no meu tempo, era muito mais divertido do que hoje e, nos dias que correm, devidamente diplomado, ele deve estar fondo para quebrar. Fões tu? Com quase toda a certeza, não. Eu tampouco fonho. Mas ele fõe.

(João Ubaldo Ribeiro, publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 13/09/1998)


TEXTO 2

Sempre recorrente na imprensa, a polêmica sobre a falta de sintonia entre educação profissional de nível superior e mercado de trabalho aflige simultaneamente educadores, estudantes e empregadores. A reestruturação produtiva dos últimos anos, a dispersão global dos negócios, a instabilidade e a volatilidade dos mercados dificultam ainda mais a tarefa dos que sonham com um fino ajuste entre educação e trabalho. Tal descompasso, entretanto, parece ser fruto de representações mentais ultrapassadas acerca da educação e do trabalho, de noções que apenas exprimiam o desejo da economia industrial de submeter o currículo escolar às suas necessidades mais urgentes. Idéias que restaram profundamente enraizadas, e que com frequência turvam a visão, gerando expectativas descabidas e equivocadas acerca do papel da educação superior.

O mercado de trabalho, determinado que é pelas necessidades instrumentais mais imediatas das organizações, é mais do que nunca mutante e instável. A universidade, ao preparar seus estudantes para o atendimento das necessidades mais urgentes do mercado, prepara-o para uma realidade que em breve não mais existirá. O egresso da universidade, quando dotado exclusivamente de conhecimento instrumental, de utilização imediata, está condenado a uma curta vida profissional. A aquisição de conhecimentos técnicos e instrumentais, aliás, dispensa qualquer passagem pelo ensino superior. Não é preciso fazer faculdade para se conhecer um software ou uma nova técnica profissional. A universidade deve visar, ao contrário, o atendimento das necessidades do próprio estudante, ou seja, a imprescindibilidade de uma consistente base cultural, de sólido conhecimento científico, de emancipação e realização profissional. Ao ensinar seus estudantes a compreender a realidade de forma crítica, ao ensiná-los  a aprender, a universidade estará preparando-os para o resto de suas vidas, para todas as transformações futuras do mercado trabalho.

Por outro lado, no entanto, o descasamento crescente entre titulação universitária e ocupação profissional também se deve à rigidez e ao conservadorismo dos currículos universitários, que ignoram o aspecto contingente do atual mundo do trabalho. Condicionado pela grade curricular anacrônica, o conhecimento assim adquirido dificulta ainda mais a inserção no mercado de trabalho. Rotulada pelo diploma universitário, com fraca visão interdisciplinar e baixa consciência do contexto histórico, político e social que envolve a sua formação, essa pessoa terá dificuldade na definição do próprio trabalho, bem como na concepção de um projeto de vida profissional.
[...]

Disponível em:   Acesso em:  7 mai 2017, às 15h

TEXTO 3


TEXTO 4


Analisando os textos motivadores acima, escreva um texto dissertativo-argumentativo em que você analise a realidade da educação superior brasileira e seu papel frente às necessidades do mercado de trabalho. Não esqueça de criar uma proposta de ação social para sugerir melhoras de acordo com o ponto de vista que você defender.



A CONCLUSÃO II

          A conclusão é o parágrafo mais complicado para alguns estudantes. Como terminar o texto? E, para completar a aflição, é nele que está a última ideia que fica na cabeça do leitor. Portanto, é preciso fechar com chave de ouro a redação, ou então coloca-se o texto todo a perder.
         A conclusão deve conter três partes: a retomada da tese (ponto de vista inicial que norteou todo o texto, que apareceu no início da introdução) com outras palavras, mas mantendo a ideia; uma breve dedução do que se argumentou nos desenvolvimentos; e um fechamento, finalizando a redação mostrando aonde se quis chegar com toda a argumentação.
         Engana-se quem pensa que só há um meio de se fazer conclusão. Existem diferentes formas de se concluir a redação, só vai depender de qual vestibular está em questão. Em geral, as provas dão comandos sobre o que esperam que o candidato escreva no texto, mas o seu fechamento é escolha de quem escreve. O Enem apresenta a competência que exige a produção de uma proposta de ação social detalhada para resolver o problema, mas isso não significa que necessariamente ela precisa aparecer na conclusão. É mais comum fazê-la na conclusão, mas pode-se optar por colocá-la no desenvolvimento 2, por exemplo, e então escolher outra forma de fechar o texto. Portanto, vamos às opções:

1- CONCLUSÃO POR DEDUÇÃO
É o que se deduz depois de analisar os fatos expostos. É literalmente o que se conclui dos argumentos usados. 
Usam-se normalmente conjunções conclusivas como: logo, portanto, então, assim, dessa forma, por isso, em vista disso.
2- CONCLUSÃO POR SÍNTESE
Resume todo o texto. É uma forma de sintetizar tudo que foi exposto para reafirmar argumentos. É a que melhor aceita a expressão “em suma”.
3- CONCLUSÃO COM QUESTIONAMENTO
É caracterizada por perguntas retóricas em sua maioria. O autor não se compromete em dar soluções nem sugestões, mas promove a reflexão.
4- CONCLUSÃO COM INTERVENÇÃO
Apresenta uma sugestão e/ou solução para o tema posto em debate. Sugere uma proposta de ação social para resolver, solucionar ou melhorar o problema discutido.
Esse tipo de conclusão precisa de detalhamento. Ao criar sua proposta, certifique-se de que deixou claro: quem vai fazer; o quê exatamente vai ser feito; como vai ser feito; e para quê deve ser feita a sua proposta.

ESCOLHA SUA CONCLUSÃO E MANDE VER!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PLURAIS METAFÔNICOS








"Laíá laiá laiá laiá...
Somos tipo passarinhos soltos a voar dispostos a achar um ninho nem que seja no peito um do outro"




          Hoje acordei cantarolando essa música muito bonitinha que o Emicida gravou com Vanessa da Mata.  Para lá de dizer se gosto ou não gosto dos cantores, para mim, música boa é música boa, e ponto! No entanto, devo confessar, tenho uma séria dificuldade de cantar a palavra "dispostos" do jeito que o Emicida canta!
          O rapper canta "dispostos" com a vogal fechada, ô. Ah qual é Emicida?! Ajude-me! Professora de português é chata quanto a isso (nem todas).
          A questão aqui é que algumas palavras, quando vão para o plural, adquirem um som (timbre) diferente em suas vogais tônicas (mais fortes). Por exemplo: No singular, falamos OLHO /ôlho/, enquanto que, no plural, temos OLHOS /ólhos/. PORCO /pôrco/ vira PORCOS /PÓRCOS/ E POSTO /pôsto/ vira POSTOS /póstos/. O nome desse fenômeno é PLURAL METAFÔNICO. O pior é que não há uma regra lógica para definir quais palavras têm metafonia, afinal de contas, nem todas obedecem a essa regra. Por exemplo: MORRO e MORROS ou ROSTO e ROSTOS, os dois com o timbre fechado. Uma vez, na minha rua, passou um carro vendendo doces, bolos e tortas, e a mulher, no alto-falante, gritava: "BÓLOS deliciosos. BÓLOS gostosos". Morri de rir! Mas como explicar que aí não existe o plural metafônico?
          No entanto, duas regras existem: 
1- todas as palavras que têm feminino terão seu plural com a pronúncia igual à do feminino. Por exemplo: Porco/ Porca (aberto) / PORCOS (aberto)
                        Bobo/ Boba (fechado) / BOBOS (fechado)  
                        Novo/ Nova (aberto)/ NOVOS (aberto)

2- todas as palavras terminadas em OSO e POSTO têm plural metafônico
Por exemplo: amistoso/ AMISTOSOS (aberto)
                        teimoso/ TEIMOSOS (aberto)
                        preposto/ PREPOSTOS (aberto)
                        e FINALMENTE disposto/ DISPOSTOS (bem aberto!)

É claro que o Emicida se valeu da famosa (e já comentada aqui) LICENÇA POÉTICA, que é a liberdade que o compositor tem de fazer uns desvios da norma padrão com alguma finalidade. No caso da música, ele o fez para rimar "dispostos" com "outro".

         Você que vai fazer Enem ainda não viu como isso vai ajudar na prova, não é? É só você atentar para o fato de que "dispostos", com a vogal fechada, ô, é a fala proveniente da região onde o Emicida cresceu e "dos mano" que se utilizam dessa variante linguística coloquial. Portanto, para o Enem, o uso dessa palavra sem metafonia é apenas uma demonstração da variante linguística utilizada por muitos rappers, por pessoas de classe social mais baixa e por muitos paulistas. Erro? Para o Enem, de jeito nenhum! Apenas variação!

Enquanto isso, eu vou vendo se consigo cantar essa música sem me agoniar tanto!

"Laiá, laiá, laiá, laiá..."